As pessoas estão cada dia mais exigentes e atentas às boas práticas de mercado. O comportamento dos consumidores vem mudando nas últimas décadas e, em tempos de mudanças climáticas, escândalos políticos e busca por igualdade, adaptar-se às tendências, como o ESG, é fundamental.
Nesse contexto, o termo ESG, ou Environmental, Social and Corporate Governance, vem ganhando espaço nas grandes corporações mundiais e se tornando um fator de destaque diante dos concorrentes.
Mas, afinal, o que é ESG? Neste artigo, explicamos o conceito, os pilares que envolvem essa prática, quais organizações no Brasil já implementaram, os principais benefícios e como aplicar de forma precisa. Continue a leitura para entender e levar essa tendência para a sua empresa.
O que é ESG?
ESG é um conjunto de fatores que são considerados importantes para avaliar o desempenho de sustentabilidade de uma empresa. Esses fatores incluem questões relacionadas ao meio ambiente, questões sociais e questões de governança.
Na prática, as empresas podem implementar práticas ESG em suas operações e estratégias de negócios, como investir em fontes de energia limpa, promover a diversidade e inclusão no local de trabalho e implementar práticas de governança corporativa transparentes.
Essas práticas podem ajudar a minimizar os riscos e maximizar o impacto positivo das empresas na sociedade e no meio ambiente. Além disso, elas também podem ser avaliadas por analistas e investidores através de indicadores ESG para determinar se uma empresa é uma boa opção de investimento.

A sigla significa Environmental, Social and Governance. Em português, “Ambiental, Social e Governança”. O termo surgiu depois que a nomenclatura Socially Responsible Investing (SRI ou, em português, Investimento Sustentável Responsável) passou a ser usada nas décadas de 1970 e 1980.
Durante esse período, os fundos de investimento começaram a considerar critérios sociais na tomada de decisão sobre quais empresas deveriam receber aportes.
A tendência de investimentos responsáveis foi drasticamente impulsionada a partir de 1971 pelo primeiro fundo de investimento responsável, o norte-americano Pax Sustainable Allocation Fund Investor Class (PAXWX), que não investia em empresas que financiaram a Guerra do Vietnã.
Com o tempo, a prática foi se tornando mais comum. Nos anos 80, grandes investidores evitavam investimentos em empresas responsáveis por catástrofes ambientais.
Logo depois, entre os anos 1990 e 2000, surgiram os primeiros índices financeiros socialmente responsáveis, como MSCI KLD 400 Social Index (reduzia investimentos em empresas de armas, cigarros e álcool) e Dow Jones Sustainability Index (avaliava a performance de empresas conforme critérios que, mais tarde, seriam chamados de ESG).
Finalmente, em 2005, o termo ESG e as práticas de impacto social ganharam força e foram oficializados no relatório Who Cares Wins (ou, em português, “Ganha Quem se Importa”), resultado de uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU).
Depois da definição de diretrizes por vários países, incluindo o Brasil, os critérios ESG passaram a ser considerados para tomar decisões sobre investimentos, além de servirem como incentivo para as empresas melhorarem a performance de investimentos no longo prazo.
Por que ESG virou tendência?
Uma vez que as diretrizes de impactos sociais foram ganhando força pelo mundo e conquistando as corporações, ficou cada vez mais difícil ignorar o conceito e as boas práticas sugeridas pelo ESG. Atualmente, existem milhares de iniciativas focadas em garantir que as empresas sigam práticas mais sustentáveis e, por isso, a tendência ganha ainda mais fôlego.
São exemplos iniciativas como a Global Reporting Initiative (GRI), organização sem fins lucrativos para padronizar os relatórios de sustentabilidade das empresas globalmente, e o Pacto Global, criado pela ONU em 2000 com o objetivo de encorajar empresas a adotarem políticas de responsabilidade social e sustentabilidade.
E as iniciativas não param por aí. Podemos citar também:
- Princípios para o Investimento Responsável (PRI), com o objetivo de guiar instituições de acordo com a agenda de sustentabilidade global;
- Acordo de Paris, tratado mundial cujo objetivo principal é a redução do aquecimento global;
- Agenda 2030, com 17 objetivos e 169 metas que devem ser seguidos pelos estados-membros da ONU;
- Sustainability Accounting Standards Board (SASB), que promove e divulga dados sobre a sustentabilidade corporativa das empresas para investidores, tornando os mercados globais de capital mais eficientes e dialogando de forma transparente com as empresas.
Com tantas iniciativas espalhadas pelo mundo que focam em impacto social, fica cada dia mais próxima a realidade do ESG nas empresas e, por isso, é necessário entender a importância de implantá-lo.
Qual é a importância do ESG para as empresas?
Com o forte apelo de grandes instituições, governos e da sociedade como um todo, fica quase impossível ignorar a tendência de mudança. Pesquisas pelo mundo já mostram que negócios que seguem boas práticas ambientais, sociais e de governança são mais estáveis e podem trazer mais lucratividade no longo prazo.
Seguindo a tendência, investidores e fundos de investimento também começaram a olhar para esses critérios na hora de decidirem onde focar. Empresas com boas práticas de ESG correm menos riscos de enfrentar problemas jurídicos, trabalhistas e fraudes e de sofrer ações por impactos ao meio ambiente.
Na prática, os fundos de investimento analisam e classificam as empresas conforme os critérios ESG para direcionar aportes. Há alguns, inclusive, que só investem em negócios que adotam boas práticas.
Os resultados para os negócios que apostam nessas boas práticas são positivos não só pela atração de investidores, como também pela percepção que o mercado passa a ter deles.
Quais são os pilares do ESG?
O ESG está em evidência no mundo dos negócios e as empresas estão buscando entender a fundo o seu funcionamento. Um levantamento do Google Trends mostrou que as buscas pela explicação da sigla cresceram em 150% no Brasil.
Isso mostra que a preocupação das organizações em implementar princípios conscientes, de olho em resultados de médio e longo prazo, está cada vez maior. Mas não basta apenas aplicar, é preciso entender a ideologia de cada pilar do ESG. Por isso, a seguir explicamos quais são e suas características.
Ambiental (E)
O Environmental, ou em português, Ambiental, é o pilar que foca as atenções em ações ambientais. O meio ambiente é uma pauta que requer muito cuidado, principalmente com os dados cada vez mais alarmantes sobre as condições em que o planeta se encontra.
A pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alerta sobre a importância das empresas colocarem o ambiente como questão central nas tomadas de decisões econômicas.
É um tópico fundamental nas reuniões, tendo em vista que muitas organizações têm rotinas produtivas que geram grande impacto ambiental, como, por exemplo, emissão de gases, processos extrativistas, problemas na gestão de resíduos, entre outros fatores.
Dentre os inúmeros tópicos relacionados à conscientização desse pilar, podemos citar:
- Redução da poluição;
- Preservação da biodiversidade;
- Uso de recursos naturais com consciência;
- Implementação de energia limpa e renovável;
- Consumo consciente de água;
- Aplicação da gestão de resíduos;
- Adoção de logística reversa.
Social (S)
O pilar social visa o bem-estar dos colaboradores, dos fornecedores e também da comunidade como um todo. É importante lembrar que uma empresa de sucesso tem como fator fundamental a sua equipe. São os funcionários que executam um bom trabalho para que o cliente final tenha o produto ou serviço com qualidade.
Por isso, a responsabilidade social visa ações e políticas focadas na diversidade e inclusão, na motivação e bem-estar da equipe, na satisfação dos clientes, nos direitos humanos, no relacionamento e na escolha dos fornecedores, em trabalhos voluntários, entre outros aspectos sociais.
O social está sempre voltado para o coletivo e em como as ações estão sendo estruturadas para oferecer qualidade de vida, segurança, suporte e relações saudáveis.
Dentre os principais tópicos que englobam esse pilar, podemos citar:
- Cumprimento às leis trabalhistas;
- Criação de projetos sociais;
- Programas de inclusão e diversidade;
- Disponibilização de EPIs;
- Respeito aos direitos humanos;
- Satisfação do cliente;
- Segurança do trabalho;
- Lei de proteção de dados;
- Cuidados com a saúde física e mental da equipe.
Governança (G)
A governança tem foco na gestão e administração do negócio, em como é conduzido com relação aos acionistas, fornecedores, colaboradores e clientes. É um pilar em que é importante manter a transparência das ações com base nos princípios de missão, visão e valores.
A liderança da organização e os outros cargos que estão diretamente ligados a ela têm como meta manter os princípios básicos da governança sempre alinhados com as estratégias e os objetivos.
Dessa forma, as tarefas são executadas com qualidade e eficiência, entregando o produto ou serviço ao cliente final com excelência.
Dentre as ações que envolvem o pilar da governança, listamos os principais, como:
- Boas práticas administrativas;
- Transparência nas prestações de contas;
- Responsabilidade corporativa;
- Responsabilidade fiscal;
- Transparência nas remunerações;
- Combate a corrupção;
- Criação de um canal para denúncias.
Quais são os benefícios do ESG?
A sustentabilidade corporativa agrega valor não só às organizações, mas também ao meio ambiente e à sociedade. Implementar ações que priorizem o ESG é obter bons resultados que se estendem para o futuro. Quanto mais cedo uma empresa criar estratégias voltadas para essa filosofia, mais destaque no mercado ela terá.
Fazer mudanças e transformações em uma empresa requer muito estudo e conhecimento, um bom planejamento com objetivos detalhados, equipes bem dispostas e líderes conscientes. Com o ESG, não é diferente: é preciso atribuir todos esses pontos, além de foco e atenção em cada processo.
A integração do ESG traz resiliência à empresa, um olhar mais consciente sobre questões muito importantes, admiração e satisfação dos clientes e destaque no mercado.
Além desses fatores, essa filosofia de negócio gera inúmeros benefícios, como:
- Diminuir o turnover;
- Fidelizar clientes;
- Conquistar a integridade da marca;
- Ter uma equipe motivada;
- Gerar maior lucratividade;
- Obter vantagem competitiva;
- Mitigar riscos.
Como aplicar o ESG na empresa?
Para colocar o ESG em prática, é necessário primeiro entender quais são os gargalos e as forças da empresa. O ERP pode auxiliar nesse ponto, contribuindo para a implementação do Environmental, Social and Corporate Governance.
Siga esse passo a passo para implementar o ESG na sua empresa:
- Implante um sistema integrado de gestão (ERP) eficiente.
- Identifique quais são as mudanças necessárias na empresa.
- Mapeie as ações de impacto social que serão implantadas usando ESG.
- Escolha quais estratégias serão melhor aplicadas na empresa.
- Coloque em prática conforme a capacidade da companhia.
- Verifique e acompanhe os resultados aliados às escolhas. Repita e/ou melhore.
Listamos a seguir outras dicas que podem contribuir para uma implementação de sucesso:
1. Descobrir o motivo de implementar o ESG
Não basta querer visibilidade e destaque no mercado por ter ações sustentáveis, se a empresa não tiver um propósito real por trás dessas ações. É importante ter os objetivos claros ao implementar o ESG, para que as ações sejam executadas com consciência e, assim, poder entregar valor às partes interessadas.
2. Ter o compliance para reavaliar o negócio
Os profissionais que fazem parte do conselho de ESG precisam visualizar todas as ações atuais da organização e avaliar quais pontos precisam de modificações no que diz respeito ao meio ambiente, à sociedade e à governança corporativa. Para que essa reavaliação seja feita com precisão, é importante ter o compliance como aliado, além de incluir o ESG no programa.
3. Conscientizar a equipe
A conquista dos bons resultados das ações de ESG implementadas na organização começam através de uma equipe motivada e consciente dos novos propósitos. Por isso, é essencial que todos os colaboradores saibam do projeto e entendam as práticas. Assim, é possível criar um senso de coletividade e a contribuição de toda a equipe.
Exemplos de ações de ESG na prática
A seguir, listamos alguns exemplos e sugestões de como implementar o ESG:
Ambiental
- Desenvolver embalagens recicláveis ou que utilizem menos plástico;
- Usar materiais reciclados no escritório e digitalizar o que for possível para reduzir desperdícios;
- Usar energias limpas e renováveis, que não emitam poluentes, como a eólica e a solar;
- Fazer a destinação correta de resíduos e efluentes.
Social
- Permitir que as mulheres conciliem carreira e maternidade, oferecendo um ambiente propício para isso;
- Privilegiar o diálogo entre colaboradores e líderes;
- Realizar projetos sociais com a comunidade local;
- Promover ou patrocinar eventos culturais e sociais.
Governança
- Ter um conselho administrativo que priorize membros que não são contratados pela empresa;
- Contratar fornecedores e colaboradores terceirizados que tenham integridade;
- Ter uma hierarquia bem definida, com cargos e funções determinados;
- Ter transparência, tornando públicas as principais informações.
Quais empresas são ESG no Brasil?
Como citamos anteriormente, os critérios e as ações que envolvem o conceito “Ambiental, Social e Governança” estão cada vez em maior evidência no mercado. Empresas que implementam iniciativas ESG se destacam nos negócios e também estão à frente dos concorrentes.
Se posicionar quanto a essas questões é fundamental, pois são causas que geram preocupação mundial e que precisam de maior atenção e visibilidade. Além disso, é importante lembrar que os consumidores estão cada dia mais atentos e optando por se relacionar com empresas sustentáveis.
O Brasil ainda está em processos de maior estruturação e conscientização quanto a implementar o ESG. Algumas empresas brasileiras já estão engajadas e fazem parte da iniciativa Guia Exame Melhores do ESG, realizada pela revista Exame.
Entre as listadas no ranking, estão:
- Ambev;
- Americanas;
- Magazine Luiza;
- Mercado Livre;
- Votorantim;
- EDP Energias do Brasil;
- Boticário;
- Natura;
- Arezzo;
- Renner;
- Itaú;
- Banco Santander;
- Algar Telecom;
- Localiza.
Case de sucesso: como o ERP contribui para o ESG
Na medida em que uma empresa tem um ERP eficiente como o da Sankhya, consegue implantar as boas práticas de ESG com mais facilidade. E sabe por quê? Um sistema integrado de gestão empresarial permite que os gestores e donos da companhia tenham na palma da mão ferramentas que indicam possíveis pontos de melhoria.
É o caso da Pão de Queijo e Cia, por exemplo, que, depois de implantar o ERP Sankhya, reduziu o desperdício de matéria-prima, atendendo principalmente o “E” de Environmental (ambiental).
A companhia também agilizou o sistema de faturamento, reduziu o custo de produção e tornou mais rápidos os processos de decisões na empresa, melhorando também o “G” de Governance (governança) e aperfeiçoando a conduta corporativa.
O ERP traz clareza e informações ricas sobre a empresa, o que permite aos gestores melhores escolhas e direcionamento dos negócios.
Implementar o ESG na sua empresa nos dias de hoje ainda é um diferencial, mas em breve será indispensável para companhias de todos os setores. Adaptar-se é necessário, principalmente se a ideia é construir um negócio consolidado e que cresce no longo prazo.
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