A pandemia de Covid-19 é a disrupção do século. Ela mergulhou o mundo na pior crise desde a Segunda Guerra, custou milhares de vidas e está longe do fim. Mas é preciso desenhar o que vem pela frente no pós pandemia e o home office.

A pandemia mudará para sempre a vida como a conhecemos. Em diversos setores e segmentos. E isso, evidentemente, inclui o universo dos negócios. Pode ser cedo demais para tirar conclusões sobre o pós pandemia do novo coronavírus, mas o momento exige reflexão. Por isso, a HSM Management conversou com sete executivos e especialistas para buscar pistas sobre como deverá ser o futuro próximo.

Pediram a eles que fizessem o exercício de imaginar que o distanciamento social acabou, a crise na saúde está sendo superada e as pessoas estão retomando suas rotinas profissionais. Quais são os aprendizados deixados pelo novo coronavírus? E como essas lições afetam sua área de atuação?

No último texto da série “E depois da pandemia” a HSM entrevistou o Luciano Sewaybricker, da PrimeUp, sobre a disrupção que o Home Office trouxe para o ambiente corporativo. 

Confira na leitura abaixo!

Home office continua no pós pandemia

Sabe aquela troca de ideias com os colegas na hora do cafezinho ou na caminhada até o almoço? Pode até parecer banal, mas momentos assim ajudam a construir vínculos e a estabelecer hierarquias importantes para o funcionamento harmonioso de uma organização.

Com o home office passando de modalidade temporária de trabalho (durante a pandemia) para algo habitual, essas relações sociais serão mudadas para sempre. A afirmação é do doutor em psicologia do trabalho pela USP Luciano Sewaybricker. Ele prevê que pelo menos 25% dos contratos de trabalho (excluindo os setores de serviços e industrial) serão 100% remoto após a pandemia.

Cuidados do trabalho remoto

Antes de aderir ao novo normal e sair abrindo vagas, no entanto, as empresas precisam planejar uma política específica à modalidade. O contexto envolve desde custos com água, luz e internet até cibersegurança. Outros pontos incluem riscos atrelados ao aumento da solidão, à falta de um local adequado para trabalhar e até mesmo à ausência de uma rotina.

“O home office também exigirá algumas mudanças nas estratégias de gestão”, acrescenta Sewaybricker, que atua como head de recrutamento e seleção na PrimeUp. A principal delas diz respeito ao conceito de produtividade. A presença no escritório e a participação nas reuniões sempre balizaram a percepção dos líderes. Mas se as mesas e as salas forem esvaziadas, como avaliar os colaboradores? Como ter certeza de que os funcionários não estão fazendo corpo mole no serviço e realmente trabalhando? A solução, nesse caso, não é exatamente uma novidade.

A cultura ágil no home office

As metodologias ágeis nasceram no início do século 21 para melhorar a eficiência dos processos de desenvolvimento de software em empresas de tecnologia. Scrum, kanban, lean, OKR: esses métodos de gerenciamento operam com times menores (squads) trabalhando em ciclos de entrega de curto prazo (sprints).

Nos últimos anos, contudo, os métodos ágeis foram adotados de maneira crescente em vários outros segmentos – das fábricas chinesas ao Vale do Silício – e em equipes mais numerosas. Para Sewaybricker, a cultura ágil será um poderoso atributo para deslanchar o home office.